segunda-feira, dezembro 20, 2004

Ai fofos e fofas!

Estou muito, muito enxarnicada que é como diz o meu Xico Béu quando quer farróbadó e eu não me apetece, porque isto de juntar o trabalho com o lazer às vezes cansa...Então não é que anda aí um rapaz numa Praça da nossa cidade a dar prémios a torto e a direito e a mim não me calhou nada? Eu, a Maria Calhorda, personalidade por demais reconhecida na nossa cidade, tal como já expliquei ali atrás e o moço não me atribui nenhuma honrosa distinção, daquelas que até parece um pau feito, que me fez logo lembrar o do falecido Zé da Mula, que ganhou essa alcunha porque não podia ver uma moçoila de saias, ficava logo com ele armado, belos tempos...
Eu até percebo que ele tem que dar aqueles prémios ao patrão e passar-lhe a manita pelo pelo, que é para ver se consegue aumentar as visitas lá em casa, mas mesmo assim, tem que ser ele a fazer os próprios comentários, coitado, e às vezes a triplicar que é para dar um ar de que vai lá muita gente. Teve tanto trabalho a escrever aquilo tudo e é um dó ver-se que as pessoas não dizem nada. Fofo, fale de sexo, suor e essas coisas duras que é o que a gente gosta. Se quiser, a sua Maria conta-lhe umas histórias lá do negócio que é para você acompanhar aquelas fotografias tão lindas de amor que o fofo tanto gosta de mostrar.
Já em relação ao prémio que o fofo deu àquele rapaz que é presidente de junta e até é muito bem apessoado, assim com aquela barba rala de intelectual de esquerda, até aqui a Maria, com esta idade e na reforma não se importava nada de o ensinar a dar umas voltinhas para cima e para baixo e se fosse de lado também não fazia mal, porque o meu Xico Béu, aquilo fala, fala, fala, e fala mas na hora do bem-bom, com os baldes de vinho que lhe circulam no sangue, para entesar o pau é uma trabalheira, que até eu, mulher versada no assunto, fico com cãibras na boca e na mão. Agora com aquele rapaz, a coisa fiava mais fino, que é como quem diz mais grosso concerteza. Mas o fofo parece-me é que tem assim um bocadinho de dor de corno por não ser tão jeitoso como ele, não será? Eu não sei, mas já vi muito magala a gabar-se de dar mais que os outros todos e depois, olhe, pfffff...Eu já percebi que o fofo é muito douto e académico, não é como os outros de que fala que não são nada e até fecharam os blogues. Além disso nem sabiam escrever porque só o fofo é que sabe e até sabe de onde as pessoas estão a escrever e tudo é porque deve ser muito inteligente, olhe môri eu estou a escrever no Café das Sanitas, sabe onde é?.
Sim, que eu já sei o que é isso de blogues, essa palavra tão moderna e gira, por causa do meu Xico Béu que vê isso tudo na internete e me conta que é assim um sítio onde as pessoas finas da cidade vão escrevendo aquelas coisas que se dissessem no café ou na rua, desatava-se-lhe tudo a rir nas ventas e assim, ali, escrevem e julgam que são importantes. Parece-me que é o caso típico do fofo, mas olhe, não tenha tanto trabalho com isso, querido, porque quando o fofo diz assim essas piadas amarelas que pensa que fazem mossa nesses rapazes giros e sem barriga, se o fofo soubesse o que a Maria ouve dizer de si a seguir, aí nos cafés e nas ruas onde eles se juntam, e a risota que é depois, se calhar o fofo deixava mas era de escrever e dedicava-se à política que acho que é a sua grande vocação e é onde a putice pode ser feita à descarada e ninguém se rala.
Cá fico sempre às ordens para qualquer conselho que os fofos e as fofas queiram pedir, que hoje já fiz muito por este rapaz dos prémios, para ver se ele deixa de fazer figuras tristes, pensando que a gente não percebe e que lhe achamos muita piada por ele escrever assim com umas coisas indirectas que depois diz que são elevadas. Ai, filho, cá para mim é do que o menino precisa, de se "elevar" mais vezes, a sua Maria trata disso com muito gosto se quiser
Cumprimentos da Vossa Maria Calhorda

Fodam mais e falem menos, fofos, disse a

Maria Calhorda às 11:35 da manhã

quarta-feira, setembro 29, 2004

A puta fina

Os queridos e fofas andam morrendo de curiosidade por não saberem quem é a Maria Calhorda, de meu nome completo Maria dos Prazeres Calhorda. Olhem, filhos, ponham-se a adivinhar...Isto pensei eu cá com os meus botões. Mas, e nestas coisas há sempre um "mas", hoje ninguém resiste aos seus cinco minutos de fama. E vai daí deu-me na cabeça abrir o jogo do gato e da rata, que nestes últimos tempos tenho jogado com os queridos. Como vocês sabem, o meu forte foi sempre a rata. por isso, não admira que tenham tentado adivinhar e nunca o tenham conseguido. Esta rata, só a apanha o gato que ela quiser. E, sem vaidade posso afirmar, que já comeu muitos gatinhos.
Mas, voltando à "vaca fria". Pois bem, a minha vida é a de uma mulher simples de aldeia, e que subiu na vida, não a pulso que dá muito trabalho, mas na cama. O que importa, não são os meios mas os fins. E os meus sempre foram divertir a rapaziada. Vejo por aí tanta gentinha de nariz empinado, que não faz outra coisa para subir...parece um carrocel: para baixo e para cima.
Olhem, nasci em Baleizão, no ano em que morreu a "Catrina" Eufémia. Ambas somos heroínas para aquele povo. Eu na cama e ela na política (que por vezes também é uma grande cama...). A diferença é que a política é uma cama muito grande mas a putice é a mesma.
Desde muito novinha comecei a sentir comichões na "xoxinha". Ao princípio pensei que era brotoeja, mas quando vi o macho do "Ti Cachaporra" de pau feito, tive a certeza que esse era o meu destino. Depois, enquanto as maminhas não cresciam e os pintelhos não despontavam corri tudo o que era monturo, galinheiro, searas e palheiros, esfregando-me nos moços da aldeia. Tinha 15 anos quando o senhor prior me olhou na sacristia e disse: "A menina tem umas maminhas muito bonitas, benza-as Deus Nosso Senhor". Não demorou um fósforo que o sacana do padre não me pusesse as cuecas em baixo. Durante uns meses foi uma doidice pegada. Tanta, que emprenhei e o meu pai, teve que vir comigo a Beja fazer um desmancho. A partir daí, o cabrão do velho fazia-me a vida num inferno. Uma tarde, meti conversa com um caixeiro-viajante e abalei com ele para Beja. O filho da puta, com falinhas mansas, antes de chegar às Neves, meteu por uma estrada velha e, mesmo aí, me pulou em cima. Não me importei nada. Ele fodeu-me mas eu também o fodi. Essa de os homens pensarem que são só eles que fodem, dá-me cá uma vontade de rir...
Mal cheguei a Beja, o simpático senhor levou-me para casa, onde me apresentou à recatada esposa. Aí fiquei a servir, na cama, na cozinha e na sala. Na verdade, não havia lugar certo para o truca, truca. O patrão andava contente e feliz, a patroa não tinha palavras para explicar o milagre que acontecera naquela casa desde a minha chegada. Até que uma tarde, a sra. Ermelinda, que Deus tenha a sua alminha em descanso, voltou mais cedo da missa e encontrou-me na cama com o marido. "Rua, sua puta fina!", disse-me ela, apontando o olho da dita. A vizinhança acorreu e, a partir daí fiquei conhecida pela "puta fina", primeiro como nome de guerra e, agora, na reforma, como estatuto.
Nesse dia, desorientada, encontrei um rapaz no jardim público, chamado Xico Béu que meteu conversa comigo. Contei-lhe a minha vida e ele levou-me para a Taberna da Maria Capitolina, na rua da Branca. Aí estive 20 anos, aviando magalas do R17 e outros fregueses, que aquilo era casa bem afreguesada. Quando a patroa morreu, trespassei a casa aos sobrinhos e estabeleci-me por minha conta. A Taberna da Calhorda, como ficou conhecida, atraía todo o putedo da cidade e arredores. Nos dias de mercado e feiras, então, não tinha mãos a medir.
Nessa altura, já o meu Xico Béu, vivia comigo. Coitado, nunca gostou de vergar a mola mas sempre me protegeu.
Esta foi a minha vida. Há pouco tempo, a minha amiga Ludovina convidou-me para montar um consultório sentimental, na Rua do Sarilho. É aí que espero as fofas e os fofos. Entretanto, o meu Xico Béu, fez um curso de informática, por isso damos também consulta na internet. A cultura, a política e a má língua são outros ramos do nosso negócio.
Queridos: sei que têm tido muitas saudades minhas. Estive de férias na Serra Nevada, fazendo sku e skona como agora está na moda mas voltei para o vosso convívio. Contem comigo para alegrar a choldra.
Vossa Maria Calhorda

Fodam mais e falem menos, fofos, disse a

Maria Calhorda às 11:57 da manhã